Mostrando postagens com marcador Dica de livro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dica de livro. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de março de 2015

Resenha: Fazendo meu filme, Paula Pimenta



Sinopse:
Tudo muda na vida de Fani quando surge a oportunidade de fazer um intercâmbio e morar um ano em outro país. As reveladoras conversas por telefone ou MSN e os constantes bilhetinhos durante a aula passam a ter outro assunto: a viagem que se aproxima.
"Fazendo meu filme" nos apresenta o fascinante universo de uma menina cheia de expectativas, que vive a dúvida entre continuar sua rotina, com seus amigos, familiares, estudos e seu inesperado novo amor, ou se aventurar em um outro país e mergulhar num mundo cheio de novas possibilidades.
via Skoob



Resenha:

        Dentro de encontros e desencontros desse universo paralelo que os adolescentes vivem, Paula Pimenta me apresentou a Fani. Com seu particular gosto por filmes, a garota define sua vida em citações e diálogos de produções que ela guarda com todo o carinho na estante. 

"Uma vez me perguntaram qual era o filme da minha vida. Fiquei um tempão pensando nisso, mas, em vez de responder, entreguei para a pessoa a minha lista de DVDs. Eu não tenho um filme preferido, cada um deles tem uma cena especial, um momento que faz com que eu deseje ser a protagonista, que anseie que minha vida seja tão emocionante e colorida como a delas." 
(Prólogo)

     Não há características particularmente emocionantes na vida de Fani. Ela sente-se deslocada diante dos amigos, por ser mais reservada e gostar de coisas diferentes (não gostar tanto de sair, por exemplo.) Ainda assim, consegue levar uma vida até que comum. Aulas, provas, paixonite pelo professor de biologia, preguiça aguda... 
       Até que algumas coisas ficam diferentes em uma festa em que ela bebe um pouco demais e acaba lembrando um pouco de menos o que fez. Essa festa é o momento que redefine muitas das certezas que Fani tem na vida. Uma delas é a da amizade inocente com Leonardo - que acaba se provando um pouco mais do que isso.
     Um dos pontos cansativos do livro é que a protagonista se comporta teimosamente incrédula, recusando-se a acreditar no Léo como algo mais em sua vida. E isso gera um vai e vem entre os dois que se torna cansativo em certo ponto. Em contrapartida, Fani conquista muitas coisas em relação a estudos. A busca dela pelo programa de intercâmbio, que vem a conseguir posteriormente, prova que um romance não se sustenta somente de uma história de amor. Paula Pimenta atribui um valor a Fani como garota, adolescente, intercambista, e não somente como par romântico de Léo, o que se torna uma das características mais interessantes na leitura, e evita que ela tome um caminho não muito agradável. 
         Em geral, é uma leitura que flui bem e rápida, característicamente teen, com recursos de escrita que a tornam mais visual e portanto, mais atrativa. 

"Hoje sei que nenhum filme é melhor que a vida"
(Epílogo)
            

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ela disse, Ele disse - Thalita Rebouças



Sinopse:
      Primeiro dia numa escola nova é sempre complicado: a gente se sente um peixe fora d'água. Enquanto todos os outros alunos são (ou ao menos parecem ser) melhores amigos de infância, os novatos ficam pelos cantos, sem jeito, pensando em qual seria a melhor tática de aproximação.
      Mas será que fazer amigos e se adaptar a uma nova realidade é mais fácil para uma menina ou para um menino?
      Este é o ponto de partida de Ela disse, ele disse: Leo e Rosa são dois típicos adolescentes que revelam como passaram pela dureza do primeiro ano num colégio novo.
Amizade, futebol, paixões, ciúmes, bullying e as armadilhas da internet são alguns dos ingredientes que dão sabor a essa história com dois narradores e dois pontos de vista.


Resenha:

         Que garotos e garotas tem linhas de pensamento BEM diferentes, todo mundo sabe. Mas como seria conhecer um pouco dos dois mundos em um situação específica? Thalita Rebouças traduz e conecta essas duas línguas peculiares faladas pela população pré-adolescente feminina e masculina (mesmo que a sinopse aponte os protagonistas como adolescentes, a leitura é bem leve e própria de quem está apenas iniciando nessa fase tão confusa da vida).
         Rosa e Leo são novatos na escola, e acabam se esbarrando na mesma experiência de tentar se enturmar com grupinhos que já foram definidos. Leo, como a maioria dos garotos, encontra sua turma muito rápido, apenas jogando futebol com eles. Rosa demora um pouco mais, mas também faz novas amigas. 
           A partir daí se desenrola uma história entre os dois. Ou será que se enrola? Um conto de amor muito engraçado e contado no ponto de vista dos dois, que se alterna durante toda a leitura. Essa tática de escrita foi ótima, porque atribuiu uma dinâmica maior e mais divertida à narrativa. Podemos ver as prioridades de meninos e meninas, as facilidades de comunicação dos dois (ou não!) Tudo baseado no ela disse, ele disse.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Resenha: Era uma vez minha primeira vez, Thalita Rebouças







Sinopse: 
     Seis amigas muito amigas com seis histórias diferentes sobre um tema em comum (e comum em várias rodinhas de amigas muito amigas): a primeira vez.
     Diz a sabedoria popular que a primeira vez a gente nunca esquece. E não é verdade? Quem não se lembra de andar pela primeira vez numa bicicleta sem rodinhas, do primeiro dia numa escola nova, da primeira bronca, da primeira nota baixa, do primeiro toco, do primeiro beijo? E do beijo que virou outro beijo que virou outro beijo que virou...sexo? Taí uma primeira vez mais que especial, que faz pensar, sonhar, ruborizar, ás vezes. Mas não se engane: o sexo é apenas o tema que permeia as histórias contadas aqui, você não vai encontrar um manual, dicas, ou pílulas de autoajuda... Isso tem aos montes por aí. Neste livro estão as emoções, os sentimentos de seis meninas, com idades entre 15 e 19 anos, antes e depois do momento em que deixaram de ser virgens.
    Teresa, Clara, Fernanda, Tuca, Patty e Joana, apesar de serem amigas de infância e morarem no mesmo condomínio, pensam de forma diferente sobre a primeira vez, têm dúvidas, medos, angústias e anseios diferentes e, claro, têm primeiras vezes muito diferentes.Memoráveis, inesquecíveis, boas, horrorosas...
      Só lendo para saber. Só lendo para - quem sabe? - se identificar.



Resenha:
     Que livro mais amorzinho. Thalita Rebouças, com sua típica linguagem teen, costura as seis  história sobre primeira vez do grupo de amigas Teresa, Clara, Fernanda, Tuca, Patty e Joana. Costura mesmo, entrelaçando e conectando as histórias entre si, usando como plano de fundo o sexo, mas trazendo em cada conto situações e romances (ou lances de uma vez só!) diferentes, além de abordar também a amizade das garotas. 
      Se engana aquele que pensa que por se tratar desse tema, a autora mudou de público e linguagem. O livro traz a leveza e o humor característicos da Thalita, o que torna a leitura rápida e bem gostosa para quem afiniza com essa literatura. 
      Diante de uma geração de jovens que é introduzida ao mundo do sexo cada vez mais cedo, a autora traz aquele senso de importância e inocência do pré-primeira vez, expondo dúvidas comuns e as mais diversas sensações que uma primeira vez pode trazer. Achei bastante válido, já que o sexo hoje está bastante banalizado. A Thalita trouxe de volta a imagem de que, independente de como e com quem, esse momento tem que ser com alguém de confiança e que compartilhe de certa cumplicidade.
       

Depois dessa leitura, só me restou um pedido na cabeça: Thalita, por favor, não pare de escrever livros! kk <3

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Resenha: A probabilidade estatística do amor à primeira vista, Jennifer E. Smith


Sinopse:
    Quem imaginaria que quatro minutos poderiam mudar a vida de alguém? Mas é exatamente o que acontece com Hadley. Presa no aeroporto em Nova York, esperando outro voo depois de perder o seu, ela conhece Oliver. Um britânico fofo, que se senta a seu lado na viagem para Lodres. Enquanto conversam sobre tudo, eles provam que o tempo é, sim, muito, muito relativo. Passada em apenas 24 horas, a história de Oliver e Hadley mostra que o amor, diferentemente das bagagens, jamais se extravia.


Resenha:
     Uma palavra para esse livro: meigo. Em circunstâncias diferentes, Oliver e Hadley se conhecem a caminho de Londres, ainda no aeroporto, antes do avião decolar. Hadley é a narradora, que conta os trancos e barrancos que está sendo essa viagem, na qual está sozinha, porque ela está indo comparecer ao casamento do pai, e sua mãe (obviamente!) não irá acompanhá-la.
     No entanto, conhecer Oliver dá uma nova perspectiva a ela. Claustrofóbica e anti-casamento, ela acaba se envolvendo e abrindo seus olhos  a um novo ponto de vista. E ela também mexe com a vida de Oliver na mesma proporção.
     Um ponto bacana do livro: não se trata apenas do romance. Parte da narrativa gira sim em torno do surgimento da paixão entre eles, mas outra parte uma parte muito importante  é sobre família, reconciliação e aceitação. Hadley não aceita que o pai case de novo, e não entende porque a mãe aceita tão bem todo o processo. Mas ela enfim entende que por não ser mais casado com sua mãe, ele não deixa de ser seu pai. E é um dos momentos mais bonitos da narrativa.
      Fora isso, toda a questão do destino abordada no livro é bonita, porque mesmo que seja uma tecla batida com firmeza e repetidamente, a autora também mostra o valor de ir em busca do que se quer, sem esperar que  chegue de mão beijada. Hadley e Oliver se conhecem "pelo acaso", mas ambos precisam lutar para fazer o romance prosperar.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Resenha: Quem é você, Alasca? - John Green



Sinopse: 
    Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras que, cansado de sua vidinha pacata e sem graça em casa, vai estudar num colégio interno à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o "Grande Talvez". Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young, uma garota inteligente, espirituosa, problemática e extremamente sensual, que o levará para seu labirinto e o catapultará em direção ao "Grande Talvez".


Resenha:
   Miles é um cara que está a procura do seu caminho na vida. Nem sua família ou colégio são motivações suficientes para continuar com a rotina que ele leva. Por isso, ele utiliza-se das últimas palavras de um poeta para traduzir o que ele está procurando. Um "Grande Talvez". Mas o que ele encontra no caminho não é apenas um, mas um amontoado de talvezes. E tudo isso em uma pessoa.
    Ao ingressar em um colégio interno, ele se torna colega de quarto de um garoto apelidado de Coronel. E a partir dele, conhece a pessoa sobre a qual a sua girará em torno, nos meses posteriores. A dita cuja se chama Alasca,  e é uma garota que se possa dizer que é, no mínimo, instável.
   Esse é um livro gostoso de ler, com espaço para diferentes reflexões sobre amizade, paixão, relacionamentos, crescimento, identificação, etc etc. A minha leitura foi bem rápida até chegar no ponto alto do livro. Nesse momento, me perguntei se era necessário dar continuidade à narrativa. Mas o autor prevalesceu em seu objetivo, e conseguiu finalizar bem seu trabalho.
   Com um trabalho incrível de estruturação de personagem, John Green adiciona mais um personagem icônico a sua lista. Contudo, apesar do destaque que é dado à Alasca, acho justo comentar que  na minha opinião, o mérito da narrativa é todo de Miles (ou como ele é apelidado, Gordo). Ele se arrisca e acaba encontrando a si mesmo e à vida que ele pertence junto ao novo grupo de amigos.Ele é também o personagem que mais cresce em todo o processo. Enquanto a misteriosa e enigmática Alasca se torna cada vez mais óbvia a medida que seus segredos vão sendo revelados. 
    No entanto, o toque meio "Dom Casmurro" que o autor concedeu ao livro deu um up bem interessante. Fica a dica para quem curte um bom drama e uma boa garota de fases.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Resenha: Marcada


Sinopse:
    Bem vindo ao mundo de The House of Night, um mundo parecido com o nosso, exceto pelo fato de que nele os vampiros sempre existiram.
    Zoey acaba de ser marcada como uma vampira, o que significa o início de uma nova vida, longe de seus amigos e de sua vida atual. Isso se seu corpo suportar o período de  transformação, caso contrário ela morrerá.


Resenha:
      Zoey é uma garota normal, com um quase namorado que vai para festas e bebe demais, e uma melhor amiga que adora fofocas e, bem, não tão amiga assim (não dá para ser mais normal que isso kk). Mas ela nem imagina que enquanto ela está planejando desculpas para não fazer a prova de geometria, a Morada da Noite se prepara para recebê-la como nova aluna. 
        A Morada da Noite é para onde vão os vampiros que são marcados pelo Rastreador. Não, aqui não existem mordidas que trasformam pessoas em seres sombrios e que precisam de sangue para sobreviver. P.C Cast e Kristin Cast estruturam uma figura de vampiros bastante original, e diferente de todas que já vi/li.
        A começar que toda a sociedade humana tem conhecimento dos vampiros. Eles inclusive foram estudados, e não são temidos por ninguém. Muito do pavor criado na figura dos vampiros são apenas clichês. Eles são criaturas da noite, realmente. Veneram a Deusa Nyx, personificação da noite. E a Deusa mostra (mesmo que indiretamente) que tem grandes planos para Zoey.
        Zoey, como qualquer garota entrando em uma escola nova (e também entrando em uma espécie nova), só deseja se encaixar na dinâmica do novo colégio, e se possível conseguir passar pela transformação em vampira. Ao serem marcados e encaminhados à Morada da Noite, os novatos ainda não são vampiros totalmente formados. A escola os prepara para sua vida futura, e em três anos ou eles completam a transformação, ou morrem.
        Apesar da pegada sobrenatural, o livro é bem teen, estilo Malhação com vampiros. A mocinha Zoey conquista seu grupo de amigos (Damien, garoto muito inteligente e gay; Stevie Rae, sua colega de quarto inocente mas muito leal, Erin e Shaunee, duas garotas que apesar de fisicamente diferentes, tem uma sintonia só delas, o que gerou o apelido de gêmeas), desperta uma rixa com a linda loira popular não tão agradável Aphrodite, e se envolve com o ex dela. É incrível como um livro pode ao mesmo tempo evocar tantos clichês, e ser tão original em outros aspectos.
          Um dos pontos mais interessante é o misticismo que é inserido na religião dos vampiros, que além de amar à Nyx, também prestam homenagens aos elementos naturais. Quebra o tabu do vampiro como ser não natural e sanguinário. Apesar de sentir a sede de sangue, é contra as leis beber de humanos.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Resenha: Banidos, Sophie Littlefield



Sinopse: 
  Não há muitas coisas pelas quais valha a pena viver em Gypsum, Missouri, ou Trashtown, como os garotos ricos costumam chamar o bairro decadente onde mora Hailey Tarbell, dezesseis anos. Hailey acha que nunca vai se ajustar, nem com os garotos populares da escola, não com os rejeitados, nem mesmo com a avó cruel e doente que vende drogas no porão de sua casa. Hailey não conheceu a mãe, já morta, e não tem ideia de quem era seu pai, mas pelo menos ela tem o irmão adotivo de quatro anos de idade, Chub. Quando fizer dezoito anos, Hailey planeja levar Chub para longe de Gypsum e começar uma nova vida onde ninguém possa encontrá-los.
  Mas quando uma colega se machuca na aula de ginástica, Hailey descobre o dom da cura que ela nunca soube possuir e que não pode mais ignorar. Ela não só é capaz de curar, como pode trazer de volta à vida pessoas que estão morrendo. Confusa com seus poderes, Hailey procura respostas, mas encontra apenas mais perguntas, até que uma misteriosa visitante aparece na casa de sua avó alegando ser Prairie, sua tia.
   Há pessoas dispostas a tudo para manter Hailey em Trashtown, vivendo um legado de desespero e sofrimento. Mas quando Prairie defende Hailey e Chub de invasores armados que invadem a casa de sua avó no meio da noite, Hailey precisa decidir onde colocar a sua confiança. Serão o passado de Prairie e o segredo que ela enterrou há muito tempo, e que a levou a deixar Gypsum anteriormente, capazes de arruinar todos eles?  Porque, como Hailey vai descobrir logo, seu poder de curar é apenas o começo.
 


Resenha:
  Hailey se sente deslocada em todos os aspectos de sua vida: não tem pais, amigos, ou um verdadeiro lar. A motivação da vida dela é cuidar do irmão adotivo Chub, por quem sente um afeto que vai além de relações de sangue. A avó, único resquício de família que lhe resta, é cruel e maltrata e zomba de Hailey a cada oportunidade que tem. Vive bebendo, e vende drogas no porão da casa em que vivem. 
   Mas apesar de tudo, ela guarda grandes habilidades em si. É boa em ginástica, mas tem que fingir que não, pois os colegas de classe olhariam ainda mais torto para ela. Mesmo com todo o cuidado que tem, todos se afastam dela quando impulsivamente, ela socorre uma garota que havia levado uma bela queda. De algum modo com a ajuda de Hailey, a garota volta à consciência, quando seu estado anterior mostrava que era quase impossível que ela estivesse viva. 
  Esse é apenas o primeiro passo para que Hailey perceba que há alguma coisa errada. Como ela conseguiu fazer aquilo? Porque aquelas palavras estranhas saiam da sua boca enquanto curava a garota? 
   Peguei Banidos para ler sem esperar nada, e acabei me surpreendendo positivamente. Emocionante e com muitas lições em suas páginas, esse sobrenatural tem um toque de originalidade que o diferencia dos outros. Hailey me decepcionou a princípio com sua acomodação ao inferno em que vivia, mas com o desenvolver de sua aventura, ela se torna uma verdadeira guerreira.
   Infelizmente, há algumas pontas que a autora insere no livro, e acaba não dando tanta atenção a elas como deveria. Ainda que seja o primeiro livro de uma série, gosto de livros que cabem a si mesmos e não que deixam tantos ganchos e tanta dependência de uma continuação, como é o caso de Banidos.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Resenha: Cartas para você


 
Sinopse: 
     Após sofrermos a perda irreparável de um ente querido,  fase de luto pode ser, muitas vezes, dolorosa. Externizar os sentimentos na medida do possível é, sem dúvida, uma forma ideal para enfrentar essa difícil fase.
     Cartas para você é uma árdua e corajosa tentativa de superação. Em formato de diário, a autora desabafa, de modo cativante, toda a sua trajetória de vida, incluindo a época da perda de seu pai, e a incessante busca por aceitação, para, enfim, rumar novos horizontes e reencontrar a alegria de viver.



Resenha:

"Quando eu tinha dezenove anos e estava sentada na minha cama como uma alucinada, chorando por causa do fim do meu namoro de um ano e meio, achando que eu nunca mais conseguiria ser feliz, meu pai disse para mim:
- Filha, vai passar. Terminar um namoro é como perder alguém. Sofremos por um tempo, e depois nos acostumamos.
(...)
Quase três anos depois, descobri, do jeito mais difícil, que meu pai se enganou: levar um pé na bunda nem se compara a perder alguém"

     A vida de Georgia entra em uma montanha russa que tem mais baixos que altos a partir do momento em que ela perde o seu pai. Ela começa então a escrever um diário para desabafar sua difícil passagem através do luto pela pessoa mais importante da sua vida. O diário, na verdade, é escrito em formato de cartas endereçadas à Aceitação. Isso mesmo, em maiúsculo. Como uma pessoa de quem ela espera desesperadamente uma visita.
      Cartas para você traz uma perspectiva mais intimista do que é perder alguém querido. E como todos os momentos impactantes da vida, só conseguem entender aqueles que passam por isso. Georgia é muito consciente do que sente e do fato que ela deve seguir em frente, mesmo com esse grande buraco na sua vida. O começo de sua jornada é difícil, os primeiros capítulos estão mergulhados em drama e lamentação, o que torna a leitura por vezes cansativa.
       Além de abordar o luto, o livro também expõe temas como problemas amorosos, alta estima, problemas familiares (picaretas na família, quem nunca?), e por isso torna a leitura mais real e intimista,  realmente inserindo o leitor no ambiente que Ge vive. Além das ótimas e atuais referências de livros e seriados que ela faz.

"Tudo o que consigo sentir agora é o quanto eu gostaria de poder abraçar meu pai, deitar do lado dele na cama e ver um episódio de House"
(Página 171)

         Com o tempo, a mocinha vai percebendo que a Aceitação que tanto procura é na verdade resultado de um processo gradual e lento de cura, e que aos poucos, mesmo que ela nunca supere totalmente a ausência do seu melhor amigo, tudo pode dar certo afinal. E novos caminhos e acontecimentos virão dessa ausência. Ela enfim consegue fazer amizade com a "destinatária" das suas cartas.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Resenha: Guardiões - A escolhida



(Resenha em parceira com a Igmo Editora. Contém spoilers do livro Guardiões)

Sinopse:
   Depois de descobrir os segredos mais obscuros de sua família e se tornar uma caçadora de vampiros, Alice pensava que nada mais poderia surpreendê-la. Contudo, aquilo parecia ser apenas o começo...
     Vendo-se perseguida pelas consequências de seus erros e recebendo novas e estranhas habilidades, ela terá que enfrentar seu maior adversário, o primeiro e mais forte dentre todos os vampiros está na cidade de Londres, e Alice é o seu alvo principal.
      Em meio a sentimentos de culpa, ela toma uma decisão que pode acabar com seu relacionamento com Christiaan e afastá-la de seus amigos...
       Será que ela conseguirá encarar mais esse desafio?



Resenha:
       Depois de descobrir ser descendente de uma família perseguida por vampiros e matar William, descendente do Drácula e a maior ameaça à felicidade dela e de seus amigos, Alice se torna caçadora de vampiros. Utilizando-se de seus poderes, ela luta ao lado de Christiaan e daqueles que lhe ajudaram a derrotar William, tornando-se cada vez mais forte e mais ameaçadora para seus inimigos. Sua próxima jornada envolve um inimigo que ela nem imagina: o primeiro dos vampiros. 

"Abri mão de todas as minhas conquistas, da minha profissão, para proteger as pessoas. Afinal, durante meu treinamento para lutar contra o assassino do meu pai, descobri que era mais forte e rápida que os humanos comuns. Então, me sentia na obrigação de livrar o mundo daquela praga."
(página 14)

          Esse livro, diferente do outro, traz muitas novidades que demandam atenção. O que seria muito empolgante, se não houvesse um declínio enorme na personalidade de Alice. A mocinha, que a princípio chamava atenção pela sua racionalidade e senso para tomar boas decisões, acaba agindo por impulso e fazendo escolhas duvidosas. Além de mostrar uma enorme insegurança, que não é normalmente característica da personagem. O que dá espaço para mostrar o seu ponto fraco: o bom coração. Mas que, na minha opinião, não foram os seus melhores momentos na trama.
        Em geral, é uma narrativa que mantém a qualidade de escrita do primeiro livro, mas não me marcou como o outro. A autora poderia ter trabalhado melhor a mitologia acerca do primeiro dos vampiros, assim como fez em Guardiões com o perfil de vampiro que traçou, bem clássico com toques modernos. O final também deixou a desejar, não respondendo a alguns questionamentos que a própria autora impôs no resto da trama. Algumas arestas ficaram soltas. Mas uma tática importante foi a de alternar a narrativa entre os personagens, o que trouxe diversos pontos de vistas da mesma situação. Enquanto antes nós vemos apenas com os olhos de Alice, agora William e Chistiaan trazem preciosas contribuições para a história.


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Resenha: Guardiões



        
Sinopse:
      Já parou para pensar de onde surgiram certas lendas? Como são criadas algumas histórias? E que muitas vezes o que nos é apresentado como ficção, fruto da mente criativa de algum escritor, pode ter surgido de uma história verdadeira? Você acredita em vampiros?
     Alice não acreditava. Mas acabou descobrindo que o mundo não era como imaginava. E que mito e realidade se confundem em alguns momentos. Alguns segredos devem permanecer ocultos. Ela não sabia com que estava se envolvendo. Só tinha uma certeza: precisava lutar. Ela jamais será a mesma depois dessa batalha. Suas convicções podem mudar depois de ler este livro.



Resenha:
     Alice Hacker é uma das personagens mais impressionantes que já conheci. A começar pelas primeiras páginas do livro mesmo, em que ela abandona toda a sua vida no Brasil para ficar perto da única família que lhe restou: a sua avó. Pisando pela primeira vez em Londres, ela dá início à aventura da sua vida. Um rapaz vai buscá-la no aeroporto, o que ela acha muito suspeito, já que não havia avisado ninguém de que iria para lá. Mas Edwards é apenas um amigo da sua avó, que esperava por ela para contar alguns segredos que mudarão todas as suas crenças. 
    Acontece que, no final das contas, Alice descobre fazer parte de um legado histórico muito famoso. Ela é descendente de um dos personagens da conhecida obra de Bram Stroker, Drácula, assim como Edwards e Lauren, moça a quem foi confiada a chave da casa que a avó de Alice deixou para ela depois de falecer, dias depois de sua chegada. As novidades a deixam atordoada.

"Não era fácil descobrir que o mundo não era da maneira que eu pensava. Precisava rever meus conceitos, minhas ideias. Sentia como se houvesse um furacão dentro da minha cabeça bagunçando tudo que havia lá dentro. E, por mais que eu tentasse resistir, ele levava tudo o que via pela frente."
(página 66)

      Com a recente descoberta, veio a preocupação. Eles não eram os únicos descendentes por acaso: séculos e séculos de perseguição haviam destruído suas famílias. Os três correm muito perigo ficando em Londres. Mas por sorte, eles contarão com a ajuda de Christiann, um jovem que Alice ocasionalmente conhece, e que conhece muito sobre vampiros porque, bem... Porque ele é um deles. Mas ele se mostra confiável e se propõe a treinar Alice, que dos três mostra a maior força.
     Um dos pontos que mais chama a atenção é a ausência de dramas desnecessários, comum em algumas obras parecidas. A maior parte disso é graças à protagonista, que se mostra bastante intuitiva e racional. Alice sabe atribuir credibilidade por merecimento, e não permite que medos e inseguranças interfiram em sua vida. Na luta contra William Campbell, o responsável pela dizimação dos seus parentes, ela é firme e mantém-se no seu objetivo.
     Monique Lavra construiu uma narrativa atraente, que prende o leitor em uma leitura que acaba mais rápido do que se espera, e deixa com um gostinho de mais. Um sobrenatural impecável, que apresenta um romance bem estruturado e uma pitada de ação. E, acima de tudo, ela faz uma bela releitura de um dos grandes clássicos nas lendas vampirescas. Ou do que pensávamos ser lendas...

 "A única coisa que podíamos ter certeza era de que nosso inimigo era muito poderoso e de que todos antes de nós haviam perecido em suas mãos. E tudo me levava a crer que o mesmo aconteceria conosco." 
(página 114)


quinta-feira, 12 de junho de 2014

Resenha: Chaves Trocadas


Sinopse:
           Aos dois anos de idade, Zênia é raptada. Aos nove anos, descobre em silêncio, que não era filha de quem a criou e a quem amava. Aos dezessete, deixa sua cidade e família para buscar seu sonho: a dança!
        Paixões perdidas, a dura sobrevivência pelo amor à arte, anjos da guarda... Encontros e desencontros marcam uma vida intensa de uma menina que provou que pela fé e coragem, seria capaz de vencer qualquer barreira. 



Resenha:
         Zênia é uma personagem de persistência admirável, que continua de queixo erguido mesmo após vários tropeços e desvios no seu plano de vida. Tudo começa quando ela ainda é uma criança, e descobre que foi adotada, e separada da mãe biológica com apenas dois anos.Já adulta, ela tem que enfrentar ilusões amorosas, e muitas dificuldades no seu instável modo de vida: ser bailarina.
       Apesar de apresentar todos os motivos para se tornar um livro deprimente, a braveza da protagonista torna a narração bastante esperançosa, com um toque de heroísmo ao final. A aproximação com a realidade traz uma identificação maior para com os personagens por parte do leitor. A fé e a lealdade aos seus sonhos são os pontos mais trabalhados na mensagem do livro. 

terça-feira, 27 de maio de 2014

Resenha: Esposa 22




Sinopse:
     Alice e William Buckle se casaram apaixonados. Mas, dois filhos e quase vinte anos depois, Alice está entediada. Por isso, quando recebe um convite por e-mail para participar de uma pesquisa on-line sobre casamentos, ela aceita num impulso. Respondendo às perguntas enviadas por um pesquisador anônimo e carismático (Pesquisador 101), Alice (Esposa 22) tem a oportunidade de reexaminar a história do próprio relacionamento.
                                                                                                     (retirado do Skoob)


Resenha: 
      Alice é uma protagonista muito cativante. Ela é casada com William há quase vinte anos, e passa por um momento de tédio e afastamento com seu parceiro. Por isso, quando o pesquisador 101, anônimo que foi direcionado para ela em um estudo sobre casamento realizado pela internet, se interessa por sua vida e pelas respostas que ela atribui às perguntas do estudo, ela se sente especial novamente. Mas ela se coloca em uma situação complicada quando o flerte com o pesquisador desconhecido ultrapassa alguns limites.
     É engraçado o modo como Alice se relaciona com a internet. Ela é viciada, pesquisa tudo no google, e até é meio stalker . Acaba sendo seu refúgio, assim como as perguntas do estudo. Acho que o ponto mais importante tocado nesse livro é o da ilusão que o mundo virtual pode oferecer, e como ela pode acabar tirando a atenção da vida real.
      A formatação do livro é muito divertida, dividida pela narração de Alice, as conversas dela com o pesquisador 101, as respostas dela às perguntas do estudo, o seu feed de notícias do Facebook e os pequenos roteiros que ela elabora mentalmente das situações que vive (força do hábito, ela é professora de teatro). Por isso, a leitura é bem rápida e leve, com um humor sutil e um pouco de romance também.
     Em alguns momentos dá vontade de esganar a protagonista, por causa do seu pessimismo e a sua falta de atitude em algumas situações. Mas tudo acaba se desenrolando ao final, mesmo que meio a alguns tropeços. A surpresa que os últimos capítulos guardam ao leitor faz toda a angústia valer a pena. Melanie Gideon fez um ótimo trabalho com Esposa 22.




terça-feira, 20 de maio de 2014

Maldosas, Sara Shepard




Sinopse:
    Pretty Little Liars fala sobre a vida de quatro garotas — Spencer, Hanna, Aria e Emily — que acabam se “separando” depois do sumiço de sua líder, Alison. Três anos depois, elas começam a receber mensagens de texto e alguém que está assinando como “A” e ameaça a expor seus segredos — incluindo os mais secretos que elas achavam que somente Alison sabia.
                                                                                               (retirado do skoob)

Resenha:
     Aria, Hanna, Spencer e Emily são pessoas totalmente diferentes. Aria é excêntrica, tem ideias criativas e meio 'maluquinhas'. Hanna é sonhadora (principalmente quando se trata do gato da escola, e dono do seu coração, Sean) e tem uma compulsão por comida, o que traz a tona seu maior transtorno: ser gordinha. Spencer é competitiva e irônica. Emily é doce, de família conservadora, e amante de natação. Somente uma pessoa como Alison poderia unir personalidades tão diferentes. 
        De alguma forma, elas funcionam como grupo. E leia-se forma como omissão e respeito à queen b Ali. A única que propõe a discutir com a amiga é Spencer, que não perde uma boa briga. Então, em uma noite de reunião das garotas, Spence e Ali discutem. Alison vai embora, e Spencer não consegue alcançá-la. Mas ninguém entra em pânico de imediato, já que isso era comum por parte da amiga. Só que Ali nunca volta, e o grupo, ao perder sua cola, começa a se desfazer. Mas ainda há muito mais por vir. O livro Maldosas trata não do sumiço de Ali em si, mas do que acontece depois. 
        As garotas seguem a vida normalmente (o mais normalmente possível, pelo menos), ainda que o fantasma da amiga sumida apareça às vezes para julgar seus pensamentos, comportamentos, e visuais bregas. Mas talvez... Ali seja mais do que um fantasma? Mensagens misteriosas chegam às garotas apontando seus segredos mais vergonhosos, de um modo maldoso... E bastante familiar.
        É uma leitura leve e rápida, que não atingiu minhas expectativas. As garotas são muito fúteis e extremamente cruéis quando estão na companhia da queen b. Quando não estão, são mais doces, seus conflitos são mais reais. Mas não há um ponto de conexão com o leitor, de afeição.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Resenha: O último beijo - Série The Last



Sinopse:
       Jasmim é uma menina, como outra qualquer, que está passando pela adolescência. Ela tem que lidar com diversos problemas, como o fato de sua mãe ter falecido quando ela nasceu e seu pai nunca estar em casa. Porém, sua vida não é só tristeza. Ela tem uma amiga chamada Ana Paula que é aventureira e adora mete-la em confusões. Como se não bastasse, ainda conhece um rapaz: Gabe. Gabe é instável, cínico, genioso e ridiculamente lindo. Diferente dos outros, rapidamente faz com que Jasmim fique atraída por ele. Ela estará disposta a dar o que ele pede em troca?! Qual a relação dele com seus pesadelos constantes?! Será que ela realmente sabe quem são as pessoas que ama?! Conheça essa envolvente historia cheia de aventuras, mistérios e romance!
(retirado do Skoob)



Resenha: 
      Aqui tudo começa com Jasmim, uma garota de poucos amigos e habilidade social. Ela mantém apenas uma grande e fiel amiga, a Ana. E, em mais um terrível começo de ano, Jasmim conta com a ajuda da companheira para amenizar a situação desagradável de voltar a frequentar o colégio. Mas claro, esse não será um ano comum. A começar por Gabe, um dos "dois únicos caras bonitos da escola", segundo Ana. Jasmim não tem o interesse para caras bonitos como as garotas da escola, mas Gabe a atrai de uma maneira muito estranha. O que não chega a compensar de maneira alguma sua personalidade desagradável.
     Alternando o humor entre irônico, rude, charmoso e simpático, é um personagem imprevisível e por vezes odiável. Porém, ele esconde ainda mais segredos. Estes são mais obscuros, e colocarão em risco a vida de Jasmim quando ela descobrir. 
     Ainda que em meio a um cenário cercado de clichês, a autora conduziu bem a narrativa. É fluída e prende a atenção. Pontos pela criatividade em relação aos seres sobrenaturais: são criaturas diferentes do que se costuma ver em livros/filmes do gênero. Os personagens são divertidos e bem delineados. A fala descontraída e típica de adolescentes pertencente a Ana e Jasmim torna a leitura mais real e mais íntima a quem conhece o público. Gabe, por sua vez, é um personagem que não foi bem executado. Ele foi definido na estória como alguém que age de modo grosseiro para se esconder, contudo, mesmo quando os segredos são revelados, ele não se entrega de inteiro. Mas pelo menos, ele protagoniza cenas bastante sensuais e românticas ao lado de Jasmim, então está perdoado.

"Suas mãos me apertaram mais, ele me puxou para mais perto do seu corpo, me entreguei completamente. (...) Isso foi muito melhor que o beijo no bosque, já estava ficando sem fôlego. Paramos de nos beijar, mas continuamos com os corpos colados, ele colou sua testa na minha, estava ofegante. Senti seu peito subir e descer, minhas mãos estavam em suas costas e tive a impressão boba de que isso o impediria de sair. Não sabia o que dizer, qualquer palavra errada e perderia esse momento. Gabe era complicado, mas queria só mais uns minutinhos dessa complicação." 
(página 63)

segunda-feira, 31 de março de 2014

Resenha: A maldição do Tigre



Sinopse: 
       Kelsey Hayes perdeu os pais recentemente e precisa arranjar um emprego para custear a faculdade. Contratada por um circo, ela é arrebatada pela principal atração: um lindo tigre branco. Kelsey sente uma forte conexão com o misterioso animal de olhos azuis e, tocada por sua solidão, passa a maior parte do seu tempo livre ao lado dele. O que a jovem órfã ainda não sabe é que seu tigre Ren é na verdade Alagan Dhiren Rajaram, um príncipe indiano que foi amaldiçoado por um mago há mais de 300 anos, e que ela pode ser a única pessoa capaz de ajudá-lo a quebrar esse feitiço. Determinada a devolver a Ren sua humanidade, Kelsey embarca em uma perigosa jornada pela Índia, onde enfrenta forças sombrias, criaturas imortais e mundos místicos, tentando decifrar uma antiga profecia. Ao mesmo tempo, se apaixona perdidamente tanto pelo tigre quanto pelo homem.
(retirado do skoob)


Resenha:
      Primeiro de uma série de quatro livros lançados, A maldição do Tigre é uma história sobre redenção, espera e amor. Tudo começa por Kelsey, uma garota que acaba de sair do colégio e está a procura de um emprego. Ela é contratada por um circo e acaba se apegando ao tigre que faz parte do show. Dhiren é um bonito tigre branco, que possui olhos de um azul intenso que atraem a atenção da garota. Ela depois descobre que há muito por trás da história do seu bonito tigre. E para ajudá-lo, embarca em uma grande aventura pela exótica Índia.
       Primeiro ponto: foi muito sagaz da autora não prender o enredo na vida dramática da protagonista. Sim, ela ficou órfã e isso conecta o leitor com sua dor logo nas primeiras páginas. Mas esse fato não é profundamente trabalhado, caso fosse, tiraria todo o foco da estória. O que leva a outra observação: a não se conectar a detalhes sem importância, Colleen Houck desenvolve uma leitura leve, gostosa e que prende a atenção. A dinâmica do enredo é objetiva, e se mantém no objetivo de narrar a busca pelo fim da maldição.
       No meio disso tem, bem espremido, o romance entre Kelsey e Ren. Ele é muito adiado, e vai ganhando espaço apenas do meio para o fim do livro. O que foi importante, já que uma conexão real e sólida leva tempo para se estabelecer. Traduzindo: romancezinhos que vêm muito fácil, não colam. Por isso, a espera é recompensada nos capítulos que conduzem ao final. Ainda que a protagonista insista irritantemente com uma atitude auto-repulsiva e insegura, tentando afastar o tigre-homem de sua vida.. 

"-Deixe-me explicar dessa forma: assim... um homem faminto comeria um rabanete, certo? Na verdade, um rabanete seria um banquete se fosse tudo o que ele tivesse. Mas, se houvesse um banquete de verdade diante dele, o rabanete jamais seria escolhido. 
Ren permaneceu calado por um momento. 
- O que você está querendo dizer? 
- Estou dizendo... que eu sou o rabanete.
- E eu sou o quê? O banquete? 
- Não... Você é o homem. Só que... eu não quero ser o rabanete. Quem quer? Mas sou realista o bastante para saber o que sou e eu não sou um banquete. Quer dizer, você poderia estar comendo bombas de chocolate, pelo amor de Deus.
- Mas não rabanete.
- Não.
- Mas e se... - Ren fez uma pausa, pensativo - ... eu gostar de rabanete?" 
(página 321)

   
        Os diálogos são divertidos, tocantes e emocionantes. Vale ressaltar também o personagem secundário Kishan, irmão de Ren. Charmoso e com tiradas galantes, ele rouba um pouco da cena do irmão. A ideia do tigre preto e do tigre branco é bonita e simbólica, e o mais interessante é que apesar do que os signos do livro apontam (preto e branco = yin e yang), eles não são opostos, mas de fato bastante parecidos.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Resenha: Por que os homens mentem e as mulheres choram?


Sinopse: 
       Porque os homens mentem? Por que eles acham que têm de estar sempre com a razão? Por que evitam se comprometer? E as mulheres, por que choram para conseguir o que querem? Por que insistem num assunto até a morte? 
       Com base em pesquisas e estudos científicos, os autores de Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? - que vendeu mais de 6 milhões de exemplares ao redor do mundo - explicam o comportamento sempre imprevisível do "outro sexo".
        De forma clara e bem-humorada, eles respondem às nossas principais dúvidas e apresentam soluções práticas para tornar a convivência entre homens e mulheres mais prazerosa. 
                                                                                              (retirado do skoob)



Resenha:
       Livros de autoajuda tem um padrão que se baseia em analisar um determinado público, que é caracterizadamente genérico e generalizado. Por isso, nem sempre agrada. As pessoas são diferentes, seus problemas são diferentes também, apesar de haver a possibilidade de serem semelhantes, se equiparados. Porque os homens mentem e as mulheres choram? é bem tipico do seu gênero: enumera problemas de relacionamento amoroso entre homem e mulher, e vai citando motivações e resoluções em torno de tais.
      Mas, adicionando o diferencial do humor, utiliza-se de ditados populares e outras tiradas para descontrair o tema abordado, que tem muitas complicações emocionais. Para os fãs de autoajuda, ele é uma obra interessante. Boa até, mas não na classificação Boa estilo Augusto Cury. Não é tocante, nem afeta significativamente a vida dos seus leitores (e com isso, estou generalizando. Seguindo a onda da autoajuda.).
         Esse livro tem autoria dupla, um homem e uma mulher, casados. Esse fato provavelmente colaborou com todo o processo de criação: desde a percepção do problema, até as conclusões tiradas, e a orientação das pesquisas realizadas no processo. Esse é um dos pontos altos do livro: eles tentam abordar os dois lados da história, dando atenção tanto à opinião masculina quanto à feminina.

 " Mas a verdade é que tanto os homens quanto as mulheres desejam relacionamentos saudáveis e gratificantes, sem haver  necessidade de nenhuma preparação especial. As mulheres costumam cometer o equívoco de supor que, porque um homem a ama, ele também a entende. Só que não é bem assim que as coisas acontecem. Nós chamamos o outro sexo de "oposto" por um bom motivo - são realmente opostos." 
                                                                                                                (página 10)

segunda-feira, 17 de março de 2014

Resenha: Tesão


Sinopse:
        Esqueça a ordem poética da sedução neste livro de Tico Santa Cruz , vocalista do Detonautas Roque Clube. Porque os contos e poemas eróticos de Tesão conduzem o leitor a um mundo sem limites, sem preconceitos. A uma atmosfera enigmática que instiga a imaginação e desperta o desejo por uma aventura que entorpece o corpo. Carne, sexo, violência e força - o encontro de dois animais num confronto vital pela continuação da existência. O primitivo, o condenável, o que os outros não têm coragem de levar adiante por medo do pecado e do julgamento divino. Um prazer que assassinou a culpa, depois cuspiu o sangue no chão.
                                                                                                                        (Retirado do skoob)


"Pois se você só conhece a luz, entenda que sem a escuridão não haveria qualquer necessidade de sua presença e que saber lidar com os dois mundos sem se contaminar é uma arte também. Perigosa, de fato, que pode viciar, mas sem dúvida nenhuma, interessante, divertida e necessária."
                                                                                                                  (página 90)
Resenha:
      É uma proposta interessante, inovadora. A literatura sexual pouco tem participação de homens atualmente. E organizar tudo em formato de poema é uma ideia bastante diferente. O autor tem uma abordagem agressiva e direta, mas que por vezes se torna repetitiva. Os casos narrados são simples, não aprofundam-se em enredo. Isso é importante. Em se tratando de sensualidade e sexualidade escritas, é preciso investir em contextualização. O sexo é um fator fixo, logo o que atrai o leitor e diferencia a obra de outras obras do mesmo gênero é o que vem por trás, o que envolve a cena erótica.
         É uma leitura rápida e que desperta sensações. A editora Belas Letras fez um belo trabalho de edição e ilustração, que tornaram a experiência de ler esse livro muito mais vívida e empolgante.

"... o desejo é o combustível da psique humana que pulsa o coração e descarrega adrenalina no corpo todo." (página 90)