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segunda-feira, 9 de março de 2015

Resenha: Fazendo meu filme, Paula Pimenta



Sinopse:
Tudo muda na vida de Fani quando surge a oportunidade de fazer um intercâmbio e morar um ano em outro país. As reveladoras conversas por telefone ou MSN e os constantes bilhetinhos durante a aula passam a ter outro assunto: a viagem que se aproxima.
"Fazendo meu filme" nos apresenta o fascinante universo de uma menina cheia de expectativas, que vive a dúvida entre continuar sua rotina, com seus amigos, familiares, estudos e seu inesperado novo amor, ou se aventurar em um outro país e mergulhar num mundo cheio de novas possibilidades.
via Skoob



Resenha:

        Dentro de encontros e desencontros desse universo paralelo que os adolescentes vivem, Paula Pimenta me apresentou a Fani. Com seu particular gosto por filmes, a garota define sua vida em citações e diálogos de produções que ela guarda com todo o carinho na estante. 

"Uma vez me perguntaram qual era o filme da minha vida. Fiquei um tempão pensando nisso, mas, em vez de responder, entreguei para a pessoa a minha lista de DVDs. Eu não tenho um filme preferido, cada um deles tem uma cena especial, um momento que faz com que eu deseje ser a protagonista, que anseie que minha vida seja tão emocionante e colorida como a delas." 
(Prólogo)

     Não há características particularmente emocionantes na vida de Fani. Ela sente-se deslocada diante dos amigos, por ser mais reservada e gostar de coisas diferentes (não gostar tanto de sair, por exemplo.) Ainda assim, consegue levar uma vida até que comum. Aulas, provas, paixonite pelo professor de biologia, preguiça aguda... 
       Até que algumas coisas ficam diferentes em uma festa em que ela bebe um pouco demais e acaba lembrando um pouco de menos o que fez. Essa festa é o momento que redefine muitas das certezas que Fani tem na vida. Uma delas é a da amizade inocente com Leonardo - que acaba se provando um pouco mais do que isso.
     Um dos pontos cansativos do livro é que a protagonista se comporta teimosamente incrédula, recusando-se a acreditar no Léo como algo mais em sua vida. E isso gera um vai e vem entre os dois que se torna cansativo em certo ponto. Em contrapartida, Fani conquista muitas coisas em relação a estudos. A busca dela pelo programa de intercâmbio, que vem a conseguir posteriormente, prova que um romance não se sustenta somente de uma história de amor. Paula Pimenta atribui um valor a Fani como garota, adolescente, intercambista, e não somente como par romântico de Léo, o que se torna uma das características mais interessantes na leitura, e evita que ela tome um caminho não muito agradável. 
         Em geral, é uma leitura que flui bem e rápida, característicamente teen, com recursos de escrita que a tornam mais visual e portanto, mais atrativa. 

"Hoje sei que nenhum filme é melhor que a vida"
(Epílogo)
            

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ela disse, Ele disse - Thalita Rebouças



Sinopse:
      Primeiro dia numa escola nova é sempre complicado: a gente se sente um peixe fora d'água. Enquanto todos os outros alunos são (ou ao menos parecem ser) melhores amigos de infância, os novatos ficam pelos cantos, sem jeito, pensando em qual seria a melhor tática de aproximação.
      Mas será que fazer amigos e se adaptar a uma nova realidade é mais fácil para uma menina ou para um menino?
      Este é o ponto de partida de Ela disse, ele disse: Leo e Rosa são dois típicos adolescentes que revelam como passaram pela dureza do primeiro ano num colégio novo.
Amizade, futebol, paixões, ciúmes, bullying e as armadilhas da internet são alguns dos ingredientes que dão sabor a essa história com dois narradores e dois pontos de vista.


Resenha:

         Que garotos e garotas tem linhas de pensamento BEM diferentes, todo mundo sabe. Mas como seria conhecer um pouco dos dois mundos em um situação específica? Thalita Rebouças traduz e conecta essas duas línguas peculiares faladas pela população pré-adolescente feminina e masculina (mesmo que a sinopse aponte os protagonistas como adolescentes, a leitura é bem leve e própria de quem está apenas iniciando nessa fase tão confusa da vida).
         Rosa e Leo são novatos na escola, e acabam se esbarrando na mesma experiência de tentar se enturmar com grupinhos que já foram definidos. Leo, como a maioria dos garotos, encontra sua turma muito rápido, apenas jogando futebol com eles. Rosa demora um pouco mais, mas também faz novas amigas. 
           A partir daí se desenrola uma história entre os dois. Ou será que se enrola? Um conto de amor muito engraçado e contado no ponto de vista dos dois, que se alterna durante toda a leitura. Essa tática de escrita foi ótima, porque atribuiu uma dinâmica maior e mais divertida à narrativa. Podemos ver as prioridades de meninos e meninas, as facilidades de comunicação dos dois (ou não!) Tudo baseado no ela disse, ele disse.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Resenha: Era uma vez minha primeira vez, Thalita Rebouças







Sinopse: 
     Seis amigas muito amigas com seis histórias diferentes sobre um tema em comum (e comum em várias rodinhas de amigas muito amigas): a primeira vez.
     Diz a sabedoria popular que a primeira vez a gente nunca esquece. E não é verdade? Quem não se lembra de andar pela primeira vez numa bicicleta sem rodinhas, do primeiro dia numa escola nova, da primeira bronca, da primeira nota baixa, do primeiro toco, do primeiro beijo? E do beijo que virou outro beijo que virou outro beijo que virou...sexo? Taí uma primeira vez mais que especial, que faz pensar, sonhar, ruborizar, ás vezes. Mas não se engane: o sexo é apenas o tema que permeia as histórias contadas aqui, você não vai encontrar um manual, dicas, ou pílulas de autoajuda... Isso tem aos montes por aí. Neste livro estão as emoções, os sentimentos de seis meninas, com idades entre 15 e 19 anos, antes e depois do momento em que deixaram de ser virgens.
    Teresa, Clara, Fernanda, Tuca, Patty e Joana, apesar de serem amigas de infância e morarem no mesmo condomínio, pensam de forma diferente sobre a primeira vez, têm dúvidas, medos, angústias e anseios diferentes e, claro, têm primeiras vezes muito diferentes.Memoráveis, inesquecíveis, boas, horrorosas...
      Só lendo para saber. Só lendo para - quem sabe? - se identificar.



Resenha:
     Que livro mais amorzinho. Thalita Rebouças, com sua típica linguagem teen, costura as seis  história sobre primeira vez do grupo de amigas Teresa, Clara, Fernanda, Tuca, Patty e Joana. Costura mesmo, entrelaçando e conectando as histórias entre si, usando como plano de fundo o sexo, mas trazendo em cada conto situações e romances (ou lances de uma vez só!) diferentes, além de abordar também a amizade das garotas. 
      Se engana aquele que pensa que por se tratar desse tema, a autora mudou de público e linguagem. O livro traz a leveza e o humor característicos da Thalita, o que torna a leitura rápida e bem gostosa para quem afiniza com essa literatura. 
      Diante de uma geração de jovens que é introduzida ao mundo do sexo cada vez mais cedo, a autora traz aquele senso de importância e inocência do pré-primeira vez, expondo dúvidas comuns e as mais diversas sensações que uma primeira vez pode trazer. Achei bastante válido, já que o sexo hoje está bastante banalizado. A Thalita trouxe de volta a imagem de que, independente de como e com quem, esse momento tem que ser com alguém de confiança e que compartilhe de certa cumplicidade.
       

Depois dessa leitura, só me restou um pedido na cabeça: Thalita, por favor, não pare de escrever livros! kk <3

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Resenha: A probabilidade estatística do amor à primeira vista, Jennifer E. Smith


Sinopse:
    Quem imaginaria que quatro minutos poderiam mudar a vida de alguém? Mas é exatamente o que acontece com Hadley. Presa no aeroporto em Nova York, esperando outro voo depois de perder o seu, ela conhece Oliver. Um britânico fofo, que se senta a seu lado na viagem para Lodres. Enquanto conversam sobre tudo, eles provam que o tempo é, sim, muito, muito relativo. Passada em apenas 24 horas, a história de Oliver e Hadley mostra que o amor, diferentemente das bagagens, jamais se extravia.


Resenha:
     Uma palavra para esse livro: meigo. Em circunstâncias diferentes, Oliver e Hadley se conhecem a caminho de Londres, ainda no aeroporto, antes do avião decolar. Hadley é a narradora, que conta os trancos e barrancos que está sendo essa viagem, na qual está sozinha, porque ela está indo comparecer ao casamento do pai, e sua mãe (obviamente!) não irá acompanhá-la.
     No entanto, conhecer Oliver dá uma nova perspectiva a ela. Claustrofóbica e anti-casamento, ela acaba se envolvendo e abrindo seus olhos  a um novo ponto de vista. E ela também mexe com a vida de Oliver na mesma proporção.
     Um ponto bacana do livro: não se trata apenas do romance. Parte da narrativa gira sim em torno do surgimento da paixão entre eles, mas outra parte uma parte muito importante  é sobre família, reconciliação e aceitação. Hadley não aceita que o pai case de novo, e não entende porque a mãe aceita tão bem todo o processo. Mas ela enfim entende que por não ser mais casado com sua mãe, ele não deixa de ser seu pai. E é um dos momentos mais bonitos da narrativa.
      Fora isso, toda a questão do destino abordada no livro é bonita, porque mesmo que seja uma tecla batida com firmeza e repetidamente, a autora também mostra o valor de ir em busca do que se quer, sem esperar que  chegue de mão beijada. Hadley e Oliver se conhecem "pelo acaso", mas ambos precisam lutar para fazer o romance prosperar.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Resenha: Quem é você, Alasca? - John Green



Sinopse: 
    Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras que, cansado de sua vidinha pacata e sem graça em casa, vai estudar num colégio interno à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o "Grande Talvez". Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young, uma garota inteligente, espirituosa, problemática e extremamente sensual, que o levará para seu labirinto e o catapultará em direção ao "Grande Talvez".


Resenha:
   Miles é um cara que está a procura do seu caminho na vida. Nem sua família ou colégio são motivações suficientes para continuar com a rotina que ele leva. Por isso, ele utiliza-se das últimas palavras de um poeta para traduzir o que ele está procurando. Um "Grande Talvez". Mas o que ele encontra no caminho não é apenas um, mas um amontoado de talvezes. E tudo isso em uma pessoa.
    Ao ingressar em um colégio interno, ele se torna colega de quarto de um garoto apelidado de Coronel. E a partir dele, conhece a pessoa sobre a qual a sua girará em torno, nos meses posteriores. A dita cuja se chama Alasca,  e é uma garota que se possa dizer que é, no mínimo, instável.
   Esse é um livro gostoso de ler, com espaço para diferentes reflexões sobre amizade, paixão, relacionamentos, crescimento, identificação, etc etc. A minha leitura foi bem rápida até chegar no ponto alto do livro. Nesse momento, me perguntei se era necessário dar continuidade à narrativa. Mas o autor prevalesceu em seu objetivo, e conseguiu finalizar bem seu trabalho.
   Com um trabalho incrível de estruturação de personagem, John Green adiciona mais um personagem icônico a sua lista. Contudo, apesar do destaque que é dado à Alasca, acho justo comentar que  na minha opinião, o mérito da narrativa é todo de Miles (ou como ele é apelidado, Gordo). Ele se arrisca e acaba encontrando a si mesmo e à vida que ele pertence junto ao novo grupo de amigos.Ele é também o personagem que mais cresce em todo o processo. Enquanto a misteriosa e enigmática Alasca se torna cada vez mais óbvia a medida que seus segredos vão sendo revelados. 
    No entanto, o toque meio "Dom Casmurro" que o autor concedeu ao livro deu um up bem interessante. Fica a dica para quem curte um bom drama e uma boa garota de fases.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Resenha: Marcada


Sinopse:
    Bem vindo ao mundo de The House of Night, um mundo parecido com o nosso, exceto pelo fato de que nele os vampiros sempre existiram.
    Zoey acaba de ser marcada como uma vampira, o que significa o início de uma nova vida, longe de seus amigos e de sua vida atual. Isso se seu corpo suportar o período de  transformação, caso contrário ela morrerá.


Resenha:
      Zoey é uma garota normal, com um quase namorado que vai para festas e bebe demais, e uma melhor amiga que adora fofocas e, bem, não tão amiga assim (não dá para ser mais normal que isso kk). Mas ela nem imagina que enquanto ela está planejando desculpas para não fazer a prova de geometria, a Morada da Noite se prepara para recebê-la como nova aluna. 
        A Morada da Noite é para onde vão os vampiros que são marcados pelo Rastreador. Não, aqui não existem mordidas que trasformam pessoas em seres sombrios e que precisam de sangue para sobreviver. P.C Cast e Kristin Cast estruturam uma figura de vampiros bastante original, e diferente de todas que já vi/li.
        A começar que toda a sociedade humana tem conhecimento dos vampiros. Eles inclusive foram estudados, e não são temidos por ninguém. Muito do pavor criado na figura dos vampiros são apenas clichês. Eles são criaturas da noite, realmente. Veneram a Deusa Nyx, personificação da noite. E a Deusa mostra (mesmo que indiretamente) que tem grandes planos para Zoey.
        Zoey, como qualquer garota entrando em uma escola nova (e também entrando em uma espécie nova), só deseja se encaixar na dinâmica do novo colégio, e se possível conseguir passar pela transformação em vampira. Ao serem marcados e encaminhados à Morada da Noite, os novatos ainda não são vampiros totalmente formados. A escola os prepara para sua vida futura, e em três anos ou eles completam a transformação, ou morrem.
        Apesar da pegada sobrenatural, o livro é bem teen, estilo Malhação com vampiros. A mocinha Zoey conquista seu grupo de amigos (Damien, garoto muito inteligente e gay; Stevie Rae, sua colega de quarto inocente mas muito leal, Erin e Shaunee, duas garotas que apesar de fisicamente diferentes, tem uma sintonia só delas, o que gerou o apelido de gêmeas), desperta uma rixa com a linda loira popular não tão agradável Aphrodite, e se envolve com o ex dela. É incrível como um livro pode ao mesmo tempo evocar tantos clichês, e ser tão original em outros aspectos.
          Um dos pontos mais interessante é o misticismo que é inserido na religião dos vampiros, que além de amar à Nyx, também prestam homenagens aos elementos naturais. Quebra o tabu do vampiro como ser não natural e sanguinário. Apesar de sentir a sede de sangue, é contra as leis beber de humanos.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Resenha: Banidos, Sophie Littlefield



Sinopse: 
  Não há muitas coisas pelas quais valha a pena viver em Gypsum, Missouri, ou Trashtown, como os garotos ricos costumam chamar o bairro decadente onde mora Hailey Tarbell, dezesseis anos. Hailey acha que nunca vai se ajustar, nem com os garotos populares da escola, não com os rejeitados, nem mesmo com a avó cruel e doente que vende drogas no porão de sua casa. Hailey não conheceu a mãe, já morta, e não tem ideia de quem era seu pai, mas pelo menos ela tem o irmão adotivo de quatro anos de idade, Chub. Quando fizer dezoito anos, Hailey planeja levar Chub para longe de Gypsum e começar uma nova vida onde ninguém possa encontrá-los.
  Mas quando uma colega se machuca na aula de ginástica, Hailey descobre o dom da cura que ela nunca soube possuir e que não pode mais ignorar. Ela não só é capaz de curar, como pode trazer de volta à vida pessoas que estão morrendo. Confusa com seus poderes, Hailey procura respostas, mas encontra apenas mais perguntas, até que uma misteriosa visitante aparece na casa de sua avó alegando ser Prairie, sua tia.
   Há pessoas dispostas a tudo para manter Hailey em Trashtown, vivendo um legado de desespero e sofrimento. Mas quando Prairie defende Hailey e Chub de invasores armados que invadem a casa de sua avó no meio da noite, Hailey precisa decidir onde colocar a sua confiança. Serão o passado de Prairie e o segredo que ela enterrou há muito tempo, e que a levou a deixar Gypsum anteriormente, capazes de arruinar todos eles?  Porque, como Hailey vai descobrir logo, seu poder de curar é apenas o começo.
 


Resenha:
  Hailey se sente deslocada em todos os aspectos de sua vida: não tem pais, amigos, ou um verdadeiro lar. A motivação da vida dela é cuidar do irmão adotivo Chub, por quem sente um afeto que vai além de relações de sangue. A avó, único resquício de família que lhe resta, é cruel e maltrata e zomba de Hailey a cada oportunidade que tem. Vive bebendo, e vende drogas no porão da casa em que vivem. 
   Mas apesar de tudo, ela guarda grandes habilidades em si. É boa em ginástica, mas tem que fingir que não, pois os colegas de classe olhariam ainda mais torto para ela. Mesmo com todo o cuidado que tem, todos se afastam dela quando impulsivamente, ela socorre uma garota que havia levado uma bela queda. De algum modo com a ajuda de Hailey, a garota volta à consciência, quando seu estado anterior mostrava que era quase impossível que ela estivesse viva. 
  Esse é apenas o primeiro passo para que Hailey perceba que há alguma coisa errada. Como ela conseguiu fazer aquilo? Porque aquelas palavras estranhas saiam da sua boca enquanto curava a garota? 
   Peguei Banidos para ler sem esperar nada, e acabei me surpreendendo positivamente. Emocionante e com muitas lições em suas páginas, esse sobrenatural tem um toque de originalidade que o diferencia dos outros. Hailey me decepcionou a princípio com sua acomodação ao inferno em que vivia, mas com o desenvolver de sua aventura, ela se torna uma verdadeira guerreira.
   Infelizmente, há algumas pontas que a autora insere no livro, e acaba não dando tanta atenção a elas como deveria. Ainda que seja o primeiro livro de uma série, gosto de livros que cabem a si mesmos e não que deixam tantos ganchos e tanta dependência de uma continuação, como é o caso de Banidos.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Resenha: The Quiet Ones (A marca do medo)



     The Quiet Ones (A marca do medo), foi um filme que me intrigou bastante a princípio. Ele propõe a tese de que efeitos sobrenaturais são desenvolvidos pela mente humana de pessoas que apresentam diversas patologias, como por exemplo a esquizofrenia. Essa ideia vem do professor universitário Coupland (Jared Harris), que propõe ao estudante Bryan McNeil (Sam Caflin) provar sua tese a partir da análise do caso de Jane Harper (Olivia Cooke), que aparentemente está "possuída" por uma entidade chamada Evie.


     No quesito terror, o filme deixa a desejar em comparação aos outros filmes. Mas a proposta é bastante interessante, apesar de escorregar em alguns pontos e não utilizar-se de recursos inovadores, o que tornaria o filme, de fato, mais atrativo. Um ponto alto foi o de incluir um romance (se é que se pode chamar romance. Digamos assim: um affair) entre Bryan e Jane. Contudo, o final não fez jus ao resto do filme, ou seja, uma boa ideia que foi mal trabalhada.


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Resenha: Cartas para você


 
Sinopse: 
     Após sofrermos a perda irreparável de um ente querido,  fase de luto pode ser, muitas vezes, dolorosa. Externizar os sentimentos na medida do possível é, sem dúvida, uma forma ideal para enfrentar essa difícil fase.
     Cartas para você é uma árdua e corajosa tentativa de superação. Em formato de diário, a autora desabafa, de modo cativante, toda a sua trajetória de vida, incluindo a época da perda de seu pai, e a incessante busca por aceitação, para, enfim, rumar novos horizontes e reencontrar a alegria de viver.



Resenha:

"Quando eu tinha dezenove anos e estava sentada na minha cama como uma alucinada, chorando por causa do fim do meu namoro de um ano e meio, achando que eu nunca mais conseguiria ser feliz, meu pai disse para mim:
- Filha, vai passar. Terminar um namoro é como perder alguém. Sofremos por um tempo, e depois nos acostumamos.
(...)
Quase três anos depois, descobri, do jeito mais difícil, que meu pai se enganou: levar um pé na bunda nem se compara a perder alguém"

     A vida de Georgia entra em uma montanha russa que tem mais baixos que altos a partir do momento em que ela perde o seu pai. Ela começa então a escrever um diário para desabafar sua difícil passagem através do luto pela pessoa mais importante da sua vida. O diário, na verdade, é escrito em formato de cartas endereçadas à Aceitação. Isso mesmo, em maiúsculo. Como uma pessoa de quem ela espera desesperadamente uma visita.
      Cartas para você traz uma perspectiva mais intimista do que é perder alguém querido. E como todos os momentos impactantes da vida, só conseguem entender aqueles que passam por isso. Georgia é muito consciente do que sente e do fato que ela deve seguir em frente, mesmo com esse grande buraco na sua vida. O começo de sua jornada é difícil, os primeiros capítulos estão mergulhados em drama e lamentação, o que torna a leitura por vezes cansativa.
       Além de abordar o luto, o livro também expõe temas como problemas amorosos, alta estima, problemas familiares (picaretas na família, quem nunca?), e por isso torna a leitura mais real e intimista,  realmente inserindo o leitor no ambiente que Ge vive. Além das ótimas e atuais referências de livros e seriados que ela faz.

"Tudo o que consigo sentir agora é o quanto eu gostaria de poder abraçar meu pai, deitar do lado dele na cama e ver um episódio de House"
(Página 171)

         Com o tempo, a mocinha vai percebendo que a Aceitação que tanto procura é na verdade resultado de um processo gradual e lento de cura, e que aos poucos, mesmo que ela nunca supere totalmente a ausência do seu melhor amigo, tudo pode dar certo afinal. E novos caminhos e acontecimentos virão dessa ausência. Ela enfim consegue fazer amizade com a "destinatária" das suas cartas.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Resenha: Um ano na vida da J.K Rowling


        O documentário Um ano na vida de J.K. Rowling acompanha durante um ano (! kk) os passos da autora da saga de grande repercussão no mundo chamada Harry Potter. Joane 'Jo' Rowling mostra um pouco do seu passado, do seu presente e do seu futuro nesse documentário, que mostra sua vida em outubro de 2006 a outubro de 2007, ano em que está finalizando a produção do último livro da série: Harry Potter e as Relíquias da Morte

          Depois de tanto tempo de encerramento da saga, foi nostálgico assistir J.K escrevendo o último livro. Mas também foi tocante e interessante vê-la contar um pouco do seu passado, e como esse está relacionado com a estrutura dos seus seis livros lançados. Essa acessibilidade às suas memórias tornam o filme intimista e dramático. A proposta principal que ele traz é trazer o lado humano dessa mulher que impactou tantas vidas com suas histórias. 


       Jo se mostra uma pessoa extremamente madura e com consciente do seu talento. Ao mesmo tempo é também modesta e admite que já se sentiu uma fraude diante do seu sucesso. Ou seja, ela é uma fofa e merece a admiração que os fãs sentem. Recomendo a quem é fã e a quem não é (ainda).
 




segunda-feira, 21 de julho de 2014

Resenha: Guardiões - A escolhida



(Resenha em parceira com a Igmo Editora. Contém spoilers do livro Guardiões)

Sinopse:
   Depois de descobrir os segredos mais obscuros de sua família e se tornar uma caçadora de vampiros, Alice pensava que nada mais poderia surpreendê-la. Contudo, aquilo parecia ser apenas o começo...
     Vendo-se perseguida pelas consequências de seus erros e recebendo novas e estranhas habilidades, ela terá que enfrentar seu maior adversário, o primeiro e mais forte dentre todos os vampiros está na cidade de Londres, e Alice é o seu alvo principal.
      Em meio a sentimentos de culpa, ela toma uma decisão que pode acabar com seu relacionamento com Christiaan e afastá-la de seus amigos...
       Será que ela conseguirá encarar mais esse desafio?



Resenha:
       Depois de descobrir ser descendente de uma família perseguida por vampiros e matar William, descendente do Drácula e a maior ameaça à felicidade dela e de seus amigos, Alice se torna caçadora de vampiros. Utilizando-se de seus poderes, ela luta ao lado de Christiaan e daqueles que lhe ajudaram a derrotar William, tornando-se cada vez mais forte e mais ameaçadora para seus inimigos. Sua próxima jornada envolve um inimigo que ela nem imagina: o primeiro dos vampiros. 

"Abri mão de todas as minhas conquistas, da minha profissão, para proteger as pessoas. Afinal, durante meu treinamento para lutar contra o assassino do meu pai, descobri que era mais forte e rápida que os humanos comuns. Então, me sentia na obrigação de livrar o mundo daquela praga."
(página 14)

          Esse livro, diferente do outro, traz muitas novidades que demandam atenção. O que seria muito empolgante, se não houvesse um declínio enorme na personalidade de Alice. A mocinha, que a princípio chamava atenção pela sua racionalidade e senso para tomar boas decisões, acaba agindo por impulso e fazendo escolhas duvidosas. Além de mostrar uma enorme insegurança, que não é normalmente característica da personagem. O que dá espaço para mostrar o seu ponto fraco: o bom coração. Mas que, na minha opinião, não foram os seus melhores momentos na trama.
        Em geral, é uma narrativa que mantém a qualidade de escrita do primeiro livro, mas não me marcou como o outro. A autora poderia ter trabalhado melhor a mitologia acerca do primeiro dos vampiros, assim como fez em Guardiões com o perfil de vampiro que traçou, bem clássico com toques modernos. O final também deixou a desejar, não respondendo a alguns questionamentos que a própria autora impôs no resto da trama. Algumas arestas ficaram soltas. Mas uma tática importante foi a de alternar a narrativa entre os personagens, o que trouxe diversos pontos de vistas da mesma situação. Enquanto antes nós vemos apenas com os olhos de Alice, agora William e Chistiaan trazem preciosas contribuições para a história.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Resenha: Noivos por acaso



        Molly (Aubrey Dollar) está ansiosa para apresentar o namorado para os pais, e o casamento da sua mãe vem a ser a ocasião perfeita para isso. Mas seus planos ficam no aeroporto, onde descobre que o sujeito é casado. Triste pela traição, ela encontra com uma aeromoça que lhe dá um 'remedinho' para ficar mais alegre. Chapada e ainda à espera do vôo, ela encontra seu amigo de infância Josh (Shane McRae), que a ajuda com a situação. Em troca, ele pede que ela ajude a manter uma mentirinha que contou para o seu pai. E nesse momento, uma grande atrapalhada começa na vida dos dois, que infelizmente rende apenas algumas poucas risadas. Sim, o filme é bem fraquinho.
       Acontece que, para dar uma alegria ao pai descobriu ter apenas poucos meses de vida, Josh disse estar noivo de Molly. E a repercussão não poderia ter sido melhor: as famílias dos dois comemoraram intensamente sua união. Molly topa "brincar de noivado", mesmo com alguma hesitação.  

      
          Aqui é que começa o erro do filme. Eles se apaixonam (óbvio!), passam por algumas dificuldades para ficarem juntos, blá blá blá... O enredo em geral é muito previsível e não apresenta nenhum diferencial que prenda o espectador. Isso o torna apenas uma comédia romântica no meio de um oceano de outras produções semelhantes. Esse não colou.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Resenha: Guardiões



        
Sinopse:
      Já parou para pensar de onde surgiram certas lendas? Como são criadas algumas histórias? E que muitas vezes o que nos é apresentado como ficção, fruto da mente criativa de algum escritor, pode ter surgido de uma história verdadeira? Você acredita em vampiros?
     Alice não acreditava. Mas acabou descobrindo que o mundo não era como imaginava. E que mito e realidade se confundem em alguns momentos. Alguns segredos devem permanecer ocultos. Ela não sabia com que estava se envolvendo. Só tinha uma certeza: precisava lutar. Ela jamais será a mesma depois dessa batalha. Suas convicções podem mudar depois de ler este livro.



Resenha:
     Alice Hacker é uma das personagens mais impressionantes que já conheci. A começar pelas primeiras páginas do livro mesmo, em que ela abandona toda a sua vida no Brasil para ficar perto da única família que lhe restou: a sua avó. Pisando pela primeira vez em Londres, ela dá início à aventura da sua vida. Um rapaz vai buscá-la no aeroporto, o que ela acha muito suspeito, já que não havia avisado ninguém de que iria para lá. Mas Edwards é apenas um amigo da sua avó, que esperava por ela para contar alguns segredos que mudarão todas as suas crenças. 
    Acontece que, no final das contas, Alice descobre fazer parte de um legado histórico muito famoso. Ela é descendente de um dos personagens da conhecida obra de Bram Stroker, Drácula, assim como Edwards e Lauren, moça a quem foi confiada a chave da casa que a avó de Alice deixou para ela depois de falecer, dias depois de sua chegada. As novidades a deixam atordoada.

"Não era fácil descobrir que o mundo não era da maneira que eu pensava. Precisava rever meus conceitos, minhas ideias. Sentia como se houvesse um furacão dentro da minha cabeça bagunçando tudo que havia lá dentro. E, por mais que eu tentasse resistir, ele levava tudo o que via pela frente."
(página 66)

      Com a recente descoberta, veio a preocupação. Eles não eram os únicos descendentes por acaso: séculos e séculos de perseguição haviam destruído suas famílias. Os três correm muito perigo ficando em Londres. Mas por sorte, eles contarão com a ajuda de Christiann, um jovem que Alice ocasionalmente conhece, e que conhece muito sobre vampiros porque, bem... Porque ele é um deles. Mas ele se mostra confiável e se propõe a treinar Alice, que dos três mostra a maior força.
     Um dos pontos que mais chama a atenção é a ausência de dramas desnecessários, comum em algumas obras parecidas. A maior parte disso é graças à protagonista, que se mostra bastante intuitiva e racional. Alice sabe atribuir credibilidade por merecimento, e não permite que medos e inseguranças interfiram em sua vida. Na luta contra William Campbell, o responsável pela dizimação dos seus parentes, ela é firme e mantém-se no seu objetivo.
     Monique Lavra construiu uma narrativa atraente, que prende o leitor em uma leitura que acaba mais rápido do que se espera, e deixa com um gostinho de mais. Um sobrenatural impecável, que apresenta um romance bem estruturado e uma pitada de ação. E, acima de tudo, ela faz uma bela releitura de um dos grandes clássicos nas lendas vampirescas. Ou do que pensávamos ser lendas...

 "A única coisa que podíamos ter certeza era de que nosso inimigo era muito poderoso e de que todos antes de nós haviam perecido em suas mãos. E tudo me levava a crer que o mesmo aconteceria conosco." 
(página 114)


segunda-feira, 7 de julho de 2014

Resenha: A verdade nua e crua


       Abby Richter (Katherine Heigl) é uma produtora jornalística organizada, controladora e exigente. Ela sonha em encontrar o homem ideal que atende a vários aspectos que estão numerados em uma lista que ela criou. Um dia, ela casualmente assiste ao programa A verdade nua e crua, que é apresentado pelo "inconveniente" Mike Chadway (Gerard Butler). O discurso do cara vai de encontro a tudo que ela e todas as mulheres acreditam, enfatiza o quanto o homem é um ser sexual, que é atraído pela aparência e os "dotes" na cama.
       O contraste na personalidade dos dois é um dos maiores atrativos do filme. Ele põe em questão as grandes diferenças entre homens e mulheres que as comédias românticas geralmente escondem. E esse filme sempre me deixa um pouco mais desiludida no quesito romance. 
        Depois de uma discussão por telefone ao vivo, Mike e Abby acabam trabalhando juntos, quando a emissora em que ela trabalha compra os direitos do programa dele. Ela, então, tem que se submeter ao apresentador "nu e cru". 


      Mas eles fazem uma aposta no mais novo interesse romântico da produtora: se o seu vizinho se interessar pela garota que o Mike produzir segundo seus "conhecimentos no departamento masculino", Abby não irá mas contestar o modo de Mike de conduzir o programa. Em caso contrário, Mike promete se demitir e largar do pé dela. E ele leva a melhor. À primeira vista, pelo menos.

      Mas é claro, óbvio, tá na cara, que essa aposta não acaba bem. No meio do caminho, a convivência (mesmo entre os tropeços dos dois) os aproxima, e traz com ela um sentimento de intruso na estória. O que resta é saber como os dois cabeças-duras irão se resolver.
          Os diálogos são muito bons, muito engraçados. Ambos são perspicazes e sabem conduzir uma conversa. O esquema Yin-Yang que é colocado no filme vai se desenvolvendo de forma crescente, ou seja, as diferenças entre eles ficam cada vez menos contrastantes ao decorrer da narrativa, pois é mostrado que existe um pouco de Abby no Mike, e vice-versa. Esse é um recurso comum em produções assim, mas não deixa de ser menos efetivo. 

"- Você sabia que eu já tive o arcebispo Desmond Tutu neste programa?

- Quem é esse?

- Não consigo nem mostrar para você o quanto eu decaí, porque você nem conhece as referências. (...) Agora eu vou transmitir do inferno junto com a moça do tempo nua do Canadá.

- Sério? Tem uma moça do tempo nua?! Podemos dar um emprego para ela?"
 

         E por último, vale lembrar: elenco também conta! E muito! Esse filme já saiu na frente por contar com a Katherine e o Gerard, que são grandes referências no mundo cinematográfico. Heigl está mais engraçada que nunca, e Gerard se mostrou uma carinha que promete nas próximas comédias românticas.


“ - É, é assustador. É apavorante. Principalmente quando eu estou apaixonado por uma maluca como você.

- Eu não sou uma maluca!

- Eu acabei de dizer eu te amo e você só ouviu o “maluca”?!

(...)

- Está apaixonado por mim? Por quê?

- Eu não faço a menor ideia. Mas eu estou.”