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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Resenha: Quem é você, Alasca? - John Green



Sinopse: 
    Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras que, cansado de sua vidinha pacata e sem graça em casa, vai estudar num colégio interno à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o "Grande Talvez". Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young, uma garota inteligente, espirituosa, problemática e extremamente sensual, que o levará para seu labirinto e o catapultará em direção ao "Grande Talvez".


Resenha:
   Miles é um cara que está a procura do seu caminho na vida. Nem sua família ou colégio são motivações suficientes para continuar com a rotina que ele leva. Por isso, ele utiliza-se das últimas palavras de um poeta para traduzir o que ele está procurando. Um "Grande Talvez". Mas o que ele encontra no caminho não é apenas um, mas um amontoado de talvezes. E tudo isso em uma pessoa.
    Ao ingressar em um colégio interno, ele se torna colega de quarto de um garoto apelidado de Coronel. E a partir dele, conhece a pessoa sobre a qual a sua girará em torno, nos meses posteriores. A dita cuja se chama Alasca,  e é uma garota que se possa dizer que é, no mínimo, instável.
   Esse é um livro gostoso de ler, com espaço para diferentes reflexões sobre amizade, paixão, relacionamentos, crescimento, identificação, etc etc. A minha leitura foi bem rápida até chegar no ponto alto do livro. Nesse momento, me perguntei se era necessário dar continuidade à narrativa. Mas o autor prevalesceu em seu objetivo, e conseguiu finalizar bem seu trabalho.
   Com um trabalho incrível de estruturação de personagem, John Green adiciona mais um personagem icônico a sua lista. Contudo, apesar do destaque que é dado à Alasca, acho justo comentar que  na minha opinião, o mérito da narrativa é todo de Miles (ou como ele é apelidado, Gordo). Ele se arrisca e acaba encontrando a si mesmo e à vida que ele pertence junto ao novo grupo de amigos.Ele é também o personagem que mais cresce em todo o processo. Enquanto a misteriosa e enigmática Alasca se torna cada vez mais óbvia a medida que seus segredos vão sendo revelados. 
    No entanto, o toque meio "Dom Casmurro" que o autor concedeu ao livro deu um up bem interessante. Fica a dica para quem curte um bom drama e uma boa garota de fases.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Resenha: Cartas para você


 
Sinopse: 
     Após sofrermos a perda irreparável de um ente querido,  fase de luto pode ser, muitas vezes, dolorosa. Externizar os sentimentos na medida do possível é, sem dúvida, uma forma ideal para enfrentar essa difícil fase.
     Cartas para você é uma árdua e corajosa tentativa de superação. Em formato de diário, a autora desabafa, de modo cativante, toda a sua trajetória de vida, incluindo a época da perda de seu pai, e a incessante busca por aceitação, para, enfim, rumar novos horizontes e reencontrar a alegria de viver.



Resenha:

"Quando eu tinha dezenove anos e estava sentada na minha cama como uma alucinada, chorando por causa do fim do meu namoro de um ano e meio, achando que eu nunca mais conseguiria ser feliz, meu pai disse para mim:
- Filha, vai passar. Terminar um namoro é como perder alguém. Sofremos por um tempo, e depois nos acostumamos.
(...)
Quase três anos depois, descobri, do jeito mais difícil, que meu pai se enganou: levar um pé na bunda nem se compara a perder alguém"

     A vida de Georgia entra em uma montanha russa que tem mais baixos que altos a partir do momento em que ela perde o seu pai. Ela começa então a escrever um diário para desabafar sua difícil passagem através do luto pela pessoa mais importante da sua vida. O diário, na verdade, é escrito em formato de cartas endereçadas à Aceitação. Isso mesmo, em maiúsculo. Como uma pessoa de quem ela espera desesperadamente uma visita.
      Cartas para você traz uma perspectiva mais intimista do que é perder alguém querido. E como todos os momentos impactantes da vida, só conseguem entender aqueles que passam por isso. Georgia é muito consciente do que sente e do fato que ela deve seguir em frente, mesmo com esse grande buraco na sua vida. O começo de sua jornada é difícil, os primeiros capítulos estão mergulhados em drama e lamentação, o que torna a leitura por vezes cansativa.
       Além de abordar o luto, o livro também expõe temas como problemas amorosos, alta estima, problemas familiares (picaretas na família, quem nunca?), e por isso torna a leitura mais real e intimista,  realmente inserindo o leitor no ambiente que Ge vive. Além das ótimas e atuais referências de livros e seriados que ela faz.

"Tudo o que consigo sentir agora é o quanto eu gostaria de poder abraçar meu pai, deitar do lado dele na cama e ver um episódio de House"
(Página 171)

         Com o tempo, a mocinha vai percebendo que a Aceitação que tanto procura é na verdade resultado de um processo gradual e lento de cura, e que aos poucos, mesmo que ela nunca supere totalmente a ausência do seu melhor amigo, tudo pode dar certo afinal. E novos caminhos e acontecimentos virão dessa ausência. Ela enfim consegue fazer amizade com a "destinatária" das suas cartas.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Resenha: Chaves Trocadas


Sinopse:
           Aos dois anos de idade, Zênia é raptada. Aos nove anos, descobre em silêncio, que não era filha de quem a criou e a quem amava. Aos dezessete, deixa sua cidade e família para buscar seu sonho: a dança!
        Paixões perdidas, a dura sobrevivência pelo amor à arte, anjos da guarda... Encontros e desencontros marcam uma vida intensa de uma menina que provou que pela fé e coragem, seria capaz de vencer qualquer barreira. 



Resenha:
         Zênia é uma personagem de persistência admirável, que continua de queixo erguido mesmo após vários tropeços e desvios no seu plano de vida. Tudo começa quando ela ainda é uma criança, e descobre que foi adotada, e separada da mãe biológica com apenas dois anos.Já adulta, ela tem que enfrentar ilusões amorosas, e muitas dificuldades no seu instável modo de vida: ser bailarina.
       Apesar de apresentar todos os motivos para se tornar um livro deprimente, a braveza da protagonista torna a narração bastante esperançosa, com um toque de heroísmo ao final. A aproximação com a realidade traz uma identificação maior para com os personagens por parte do leitor. A fé e a lealdade aos seus sonhos são os pontos mais trabalhados na mensagem do livro. 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Dica de filme: Jogos do Apocalipse



        Em uma classe de filosofia em Jacarta, Indonésia, leciona o professor Zimit (James D'Arcy). Em seu último dia de aula do ano letivo, ele propõe um jogo. Esse jogo consiste em desenvolver habilidades de sobrevivência usando como ferramenta principal a lógica. Ele aponta a seus alunos um cenário de Apocalipse, em que é necessário fazer uma seleção de dez pessoas dentre o total dos vinte integrantes da sua turma, levando em consideração sua utilidade para a reconstrução da realidade. 
       Uma produção de fotografia plausível e cenário admirável, expõe o conflito entre a racionalidade e a sensibilidade humana. O discurso apresentado ao longo do filme é incrível, e põe o espectador em reflexão intensa. Se seres humanos são naturalmente subjetivos, como sobreviver usando apenas a lógica? Não seria assim, construída uma humanidade sem "humanidade"? 


        O final não é dos melhores. Há um declínio visível no roteiro. Mas pessoalmente posso afirmar que todo o jogo em si e a ideologia que é colocada, já são motivos suficientes para assistir, além do produto visual como um todo. É literalmente um filme bonito de se ver: cores suaves, cenários hipnotizantes, além do conjunto de atores muito bem escolhido (aos fãs de Harry Potter, a Bonnie Wright, que interpreta a Gina, está nesse filme. Foi muito interessante vê-la em um papel tão diferente). A trilha sonora também causa um grande impacto e tem uma participação especial no produto final. 



segunda-feira, 12 de maio de 2014

Resenha: Crash, J.G. Ballard


Sinopse:
    Narrado em primeira pessoa por um roteirista de cinema e publicidade, o livro mistura um minucioso realismo à mais ousada fantasia ao retratar uma espécie de irmandade de indivíduos doentios, obcecados pelas possibilidades eróticas dos desastres de automóvel. O líder do grupo, Robert Vaughan, passa seus dias nas vias expressas da região do aeroporto de Londres, procurando acidentes sangrentos - que ele fotografa em todos os detalhes escabrosos. Depois, com prostitutas colhidas à beira da estrada, busca reproduzir, em bizarros atos sexuais no interior do carro, as posições das vítimas lesionadas. Conduzido por um narrador cada vez mais perplexo e fascinado com a descoberta desse mundo em que o erótico, o mecânico e o macabro parecem se fundir, Crash pode ser lido como um retrato singular, sob a forma de pesadelo, da realidade insana em que trafegamos todos os dias.



Resenha:
    Essa pode ser considerada, de fato, uma das leituras mais, digamos... estranhas que já fiz. Muito à frente de seu tempo, J. G. Ballard analisa a sociedade como uma constante mudança nos conceitos de passado, presente e futuro. Ele atribui uma relação muito íntima do homem com a tecnologia desde o início do séc. XX, espaço histórico em que um escritor, por isso, está diante de um universo em que a realidade, por ela própria, é ficção. Por isso, cabe aos autores apenas "descrever e analisar" cenários, e não mais inventar realidades.
    A proposta de Crash pode ser considerada por alguns leitores como ficção, por se tratar de tabus até hoje estabelecidos, mas Ballard traz como algo muito real. E presente no futuro da humanidade. Ele apresenta Vaughan, um homem com tendências eróticas 'incomuns'. Ballard estabelece um relacionamento com esse homem que tem atração por cenas de acidentes de carros e que acha extremamente excitante toda a dramática dessas situações, primeiramente como observador. Depois assume uma posição de experimentação, entendendo gradualmente como funciona a mente de Vaughan. Ao final da obra, ele deixa de ser aprendiz e conecta-se por completo à ideologia.
   A linguagem é muito crua e direta, e não apenas por narrar cenas sexuais. Aqui o bizarro é explorado da maneira mais natural possível, desconstruindo conceitos e preconceitos da sociedade. Ele explora o erotismo livre de regras e sentimentos, de modo que acredito que tenha sido muito polêmico para a época. Mas nesse sentido, Ballard tem um quê de clássico, pois adiciona a atemporalidade à sua narrativa. Crash, ainda hoje, no século XXI, tem capacidade para abalar seus leitores. E afirmo por experiência própria.
    Encontrei no google, como se pode ver abaixo, uma imagem das várias capas que Crash já assumiu. É possível assimilar, pelo design de cada capa, um pouco da essência do livro. Carros, sexo, drogas e muito sangue compõem essa obra.


 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Resenha: Garotas de vidro



Sinopse: 
          Lia está doente e sua obsessão pela magreza a deixa cada vez mais confusa entre a realidade e a mentira. Mas ela perde totalmente o controle quando recebe a notícia de que sua melhor amiga, Cassie, morreu sozinha em um quarto de motel. E o pior: Cassie ligou para Lia 33 vezes antes de morrer. O que começou como uma aposta entre duas amigas para ver quem ficaria mais magra tornou-se o maior pesadelo de duas adolescentes reféns de seus próprios corpos. 
                                                                      (Retirado do skoob)


Resenha:
     O mais interessante desse livro é a maneira como a autora aborda a temática. Na narrativa letárgica e infeliz de Lia, é possível absorver em partes contadas e pesadas, assim como as calorias dos alimentos, um pouco de cada aspecto profundo e degradante ao ser humano da doença que é a anorexia. Fugindo aos esteriótipos, aqui há um aproximamento muito grande com a realidade (ou com o que pessoas que não vivem esse drama imaginam que seja essa realidade, porque como dizem, "só entende mesmo quem vive isso na pele"). 

"Eu sei que sou eu, mas não sou eu, não de verdade. Não sei como sou. Não consigo lembrar como é que a gente faz para parecer alguma coisa." (Lia em frente ao espelho, página 84)

     Lia, a protagonista, é uma garota com problemas comuns. Pais separados de quem ela recebe pouca atenção, e com cujos problemas ela teve que lidar. Ela tem uma irmã, a Emma, com quem mantém uma das ligações afetivas mais sinceras que ela mantém em sua "sobre"vida. Mas toda a sua obsessão começou realmente da amizade que tinha com Cassie. Em um determinado momento de sua amizade, a amiga de Lia revela um segredo sujo de sua vida: o hábito de comer demais e depois vomitar tudo. 

     "Esticando e vomitando e se entupindo e esvaziando, o balde chamado Cassie era arrastado para o poço o tempo todo." (página 155)

      A narrativa vaga entre pontos calmos e pontos violentos de uma existência triste e sem perspectivas. A visão de Lia vai além da busca pela magreza. Diferentemente de Cassie, ela não gosta de vomitar, por isso conta todas as calorias que ingere no dia. A influência da amiga despertou nela fantasmas adormecidos. Ela rejeita a si mesma profundamente, e faz o que é preciso para fugir desse sentimento de inferioridade. Por vezes, seus pensamentos são extremamente obscuros. Por isso, essa é uma leitura que exige calma, compreensão, e um estômago muito forte.

"Fume pólvora e vá para a escola para pular por dentro de aros, se sentar, pedir e fingir de morta quando mandam. Escute os sussurros que se enrolam na sua cabeça à noite, te chamando de feia e gorda e vaca e biscate e o pior de tudo: 'uma decepção'. Vomite e passe fome e se corte e beba porque você precisa de um anestésico, e funciona. Por um tempo. Mas então o anestésico vira veneno e a essas alturas você está seguindo essa estrada diretamente para a sua alma. Você está apodrecendo e não consegue parar."
(página 158)





terça-feira, 2 de abril de 2013

Resenha: Comer Rezar Amar


Sinopse: 
         Quando completou 30 anos, Elizabeth Gilbert tinha tudo que uma mulher americana moderna, bem-educada e ambiciosa deveria querer em um marido, uma casa de campo, uma carreira de sucesso. Mas não se sentia feliz: acabou pedindo divórcio e caindo em depressão. "Comer, rezar, amar" é o relato da autora sobre o ano que passou viajando ao redor do mundo em busca de sua recuperação pessoal. 
                                                                                                                         (retirado do skoob)


Resenha:
      Liz Gilbert é uma mulher, que não muito diferente de outras mulheres, passa por dificuldades no casamento. Apesar de seguir sua vontade e se divorciar, ela não consegue estar feliz porque seu marido ainda a culpa pelo fim do relacionamento. Um namoro com um rapaz mais jovem chamado David é engatado logo após o término, e também não dá certo, aumentando sua angústia sentimental. Ela decide, então, começar a lutar por si mesma pela felicidade. E para isso, planeja uma viagem de três paradas em busca da realização pessoal.
       Primeiro, vai para a Itália, usufruir dos prazeres mundanos de se alimentar bem e livremente, sem as limitações mentais para manter o corpo bonito. Vai para lá especificamente pela paixão que tem pela língua italiana, e quando chega lá faz amizades fortes e sinceras. Depois, vai para a Indonésia, dessa vez para alimentar a alma. Instala-se em um ashram, onde experimenta os cânticos e meditações típicos da cultura. Ela renova sua alma, e consegue deixar para trás (ou melhor, abraçar de frente) o sentimento de culpa por tudo que aconteceu em sua vida, e todos os ressentimentos deixados pelo caminho.
      A última parada é Bali, na Índia. Lá, ela vai para reencontrar um xamã que há tempos atrás havia lido sua mão e lhe feito uma profecia."Você vai perder tudo o que tem", ele disse. "Mas vai conseguir recuperar tudo de volta. Então, voltará aqui para Bali e me ensinará inglês, e eu lhe ensinarei o que eu sei". Ela volta, e vai visitá-lo todos os dias para conversar com o velho que agora considera um amigo. Em Bali, ela também faz amigos, e lá encontra Felipe, um brasileiro que assim como ela é divorciado e tem experiências ruins em relacionamentos anteriores. Com essa nova companhia, ela se vê com a oportunidade de recomeçar.
      É uma estória de vida tocante e levemente cômica em alguns momentos. Liz batalha muito por si mesma, e percebe que muitas vezes sua maior adversária é sua mente. Ela aprende lições valiosas e em sua narrativa, as repassa muito bem ao narrador. Comer rezar e amar é uma leitura de aprendizagem e renovação mental.